sábado, 6 de setembro de 2014

Olhos como diamantes


     ADEUS  que não ganhei

Adentraste em minha vida num sorriso.
Teus olhos brilhavam como diamantes...
nossos corações pulsavam inquietantes
com a alegria de quem cai num paraíso!

Sorrias muito... era preciso,
para sufocar as gargalhadas extravagantes
que bem cabiam naqueles instantes
que o destino nos deu de improviso!

Foram beijos e abraços a vida inteira!...
Com sonhos sonhados da mesma maneira
e com teus olhos sendo a luz dos meus!...

Porque partiste assim tão de repente?...
Negando-me um abraço ou um beijo ardente...
E sem ao menos dizer-me um Adeus!

Moacyr Ayres da Siqueira

A Professora Dinorá

À  Minha Professorinha


Aprender... é abraçar de corpo e alma ensinamentos!
Ensinar... é o dom divino que te leva em frente!...
Que te permite transmitir conhecimentos
e irradiar sabedoria eternamente!

Aprender... é colher idéias, pensamentos
e cultivá-los em frasco transparente!
Ensinar... é exibir tal frasco aos quatro ventos...
é o transplante que se faz da própria mente!

É sagrado o dom que te domina !
O Mestre Soberano te ensina
o que jamais aprenderás na faculdade!...

E brota no meu peito a esperança,
de que verás o mundo inteiro uma criança
para uma aula de paz à humanidade!


Moacyr Ayres da Siqueira


Eu conheci uma menina que o primeiro brinquedo era a escolinha e ela professora. Cresceu. Fez o magistério, continuou ensinando de dia e fazendo a faculdade à noite. Num belo dia me comunicou sua formatura e eu perguntei para ela o que desejava de presente: o anel ou uma poesia? Ela escolheu a poesia. Eu dei a poesia, o anel e a festa. É desnecessário dizer que a menina era minha filha. A professora Dinorá.

80 Anos

80 anos do Hugo Ayres da Siqueira


Irmãos criados do mesmo jeito,
mamando no mesmo peito
e dormindo na mesma tarimba;
com água da mesma cacimba
e portando o mesmo defeito;
defeito de qualidade...
o de adorar o direito
e amar a honestidade!
Banhados na mesma sanga
sem pensar que o tempo passa
matando o tempo na raça
arrastando a mesma canga! 

Com o espinafre da Angelita;
o caruru da vovó Rita
era uma batalha feia...
com carne e pão da “cadeia”
e os cadernos do Padre Pio
o saber nunca fugiu
da mente da gurizada!...
Hoje choro e dou risada
no meu viver macanudo
do guri que tem de tudo
e não consegue aprender nada!
A vida é mesmo engraçada!

A vovó era divina,
talhada pra medicina
aplicava o que sabia;
se um  neto as vezes tossia
fazia uma xaropada
que até quem não tinha nada
tomava e dava risada!
Para garganta irritada
não tinha estas drogas modernas;
prendia a cabeça entre as pernas
e não deixava sequela,
com um pincel pintava a goela
com uma tinta azulada
e a praga estava curada!

No mesmo sistema, um purgante
nos dava de quando em quando...
Para que fosse afastando
o gosto repugnante,
usava uma ideia divina:
uma pedra de açúcar-usina.
Dores nas costas ou no peito,
a vovó era jeitosa:
aplicava uma ventosa;
tratamento de respeito.
A vovó era divina!...
Febre era um chá de quina;
se forte, com aspirina,
e media com a mão na testa...
quando baixava, que festa!

E presente de natal?...
Era uma luta fatal
num burburinho no hospital
ou no corpo de bombeiro!...
Em um tremendo entrevero;
criança passando mal;
um griteiro infernal
e a gente firme porque
sempre vinha um bilboquê
para a alegria do povo!...
E uma pintada na mão
à prova de água e sabão
para não ganhar de novo!

Hoje o Hugo faz oitenta
nesta vida truculenta
o que  me deixa feliz!...
Oitenta também já fiz
nesta vida passageira!
É pedido que te faço:
aceita um forte abraço
que paleta alguma aguenta
alusivo a teus oitenta
que te passo no momento;
são coisas do Velho Siqueira
externando o pensamento!
                  Moacyr Ayres da Siqueira
06-8-2014