SOU XUCRO E NÃO MUDO
Nasci e vivo feliz
neste garrão do país
de porte continentino...
curtindo “este vento andino”
chamado de minuano...
e nosso “Pai Soberano”
que é sábio quando atua,
talvez com “lança charrua,”
num ato puro e divino,
traçou este meu destino!
Eis a razão da xucresa
que se apodera de mim!...
É que Deus me fez assim
com toda sua grandeza...
não me dobro, pois sou osso
quando baixam-me a “ripa”
dizendo que sou mais grosso
que um “tarugo de pipa”!...
morro “sovéu cabeludo”!...
mas “coisas de Deus” eu não mudo!
Moacyr Aires da Siqueira
E POR FALAR EM PORTO ALEGRE
Porto Alegre... Cidade Sorriso!
Vivíamos nós num paraíso
Embora sem luz e tanto asfalto...
De fato, tudo aqui era alegria!...
Hoje mudou; em plena luz do dia
Ninguém está livre de um assalto!
Sair à noite, é falta de juízo!...
Porto Alegre...onde está o teu sorriso?!
Até mesmo em nosso lar
Onde o sono era seguro e de sonhar,
Deixou de ser seguro e tão sagrado!...
Ninguém está livre de ser visitado
Por bandidos ou amigos do alheio!...
Não creem no mesmo Deus que creio;
De princípio puro e tão preciso!...
Porto Alegre... onde está o teu sorriso?!
A mendicância, nunca foi tanta em tuas ruas:
Nunca se viu tantas meninas semi-nuas
Nas vitrines de degradantes da miséria...
A infância, antes coisa séria,
Hoje é comum ver a catar esmolas...
Fico na esperança que Deus criará escolas
Para ensinar aos errados o que é preciso!...
Para que Porto Alegre... “volte ser Sorriso!”
Moacyr Ayres da Siqueira
O ÔNIBUSPassou na rua em que fui criança...
na qual joguei bola de gude na calçada,
ouvindo alegres cânticos da meninada
a brincar de roda numa infância mansa!
Meu pai, como toda vizinhança,
de jornal em punho e preguiçosa armada,
adormecia na frente da morada...
eram tardes de paz e segurança!
Se algum vizinho não viesse à frente,
imaginava-se distante ou doente
o que era conferido em visita amiga!
Este ônibus mexeu com minha mente,
passou na ruazinha, hoje diferente
da pacata em que vivi na Porto Alegre antiga!
Moacyr Ayres da Siqueira