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domingo, 1 de março de 2015

Uma serpente atrevida

A Solidão




A solidão extermina

todo e qualquer ser humano,

por isso o “Pai Soberano”

numa atitude divina,

se aligerou e fez a china

da costela de um mundano

tirando Adão das trevas

com os encantos das Evas.



Uma serpente atrevida

lhes deu maçã de presente,

o casal passou o dente

por isso estou nesta vida

com a imperceptível sequela

por ter dado uma costela

para obra do “Senhor”...

símbolo eterno do amor!






Moacyr Ayres da Siqueira







sábado, 18 de outubro de 2014

Xucro e queixo duro



SOU XUCRO E NÃO MUDO


Nasci e vivo feliz

neste garrão do país

de porte continentino...

curtindo “este vento andino”

chamado de minuano...

e nosso “Pai Soberano”

que é sábio quando atua,

talvez com “lança charrua,”

num ato puro e divino,

traçou este meu destino!



Eis a razão da xucresa

que se apodera de mim!...

É que Deus me fez assim

com toda sua grandeza...

não me dobro, pois sou osso

quando baixam-me a “ripa”

dizendo que sou mais grosso

que um “tarugo de pipa”!...

morro “sovéu cabeludo”!...

mas “coisas de Deus” eu não mudo!


Moacyr Aires da Siqueira

sábado, 20 de setembro de 2014

Essa costela é a minha?

Costela Amiga


Quando eu deixar este chão
eu vou de costela na mão
mal passada e gordurenta.
Eu quero chegar lá em cima
com graxa e farinha na venta
e o Santo que cuida o clima
com feixe de chaves na mão,
antes de abrir o portão,
vai gritar numa frestinha:
Essa costela é a minha?
Aí é que eu solto a voz:
É gorda! Eu trouxe pra nós!
Antes me faz um favor,
não conheço bem a casa,
vai no inferno e pega brasa
pra renovar o calor.
Carne fria e sem fumaça
perde a metade da graça
e quase todo sabor.

Moacyr Ayres da Siqueira